Meu capitão de bragança
a dança não se acabou
enquanto a corda balança
o corpo se retesou
Verde esperança morreu
no colo de um Prometeu
que o silêncio enterrou
Meu capitão da matança
muita criança chorou:
por tantos vermes na pança
e pelo pão que faltou
Mulher parida sofreu
pelo leite que não deu
quando o moleque implorou
Meu capitão de carranca
tua história gorou
e o jornaleiro põe banca
pra banca que se queimou
A discordância nasceu
quem documenta sou eu
poeta que a dor criou
Meu capitão que hoje arranca
os olhos de quem olhou
.........................................
o porque da mula manca
nunca ninguém nos contou
Meu capitão que hoje tranca
as portas do social
que vem, mata, bota bronca
como qualquer anormal
Desbanca o que prometeu
meu capitão de natal
pois o presente que é teu
quem recebeu se deu mal
Meu capitão que tem lança
te apelidaram Pardal
pelas aves que matou
meu capitão canibal
Ninguém foi na tua dança
ninguém ouviu teu sinal
cospe fora o que comeu
pois o teu tempo acabou
sobre a obra
versos feitos na época da ditadura militar
2 comentários:
Tempos dificeis os de então...
A luta entre a consciência e o dever.
Felizes os que ignoram, porque a esses nunca a consciencia doeu...
É... tempos difíceis aqueles em que não vivi e não pude lutar pra vencer! Mas você estava lá, e trouxe a essência pra nós, leitores. Tem um ótimo ritmo, palavras pulando... muito legal, Carlos. Brigadão pelo convite.
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